inquietude

às vezes sentimos vontade de escrever simplesmente para externar algo que não sabemos ao certo o que é – e por mais que esse algo grite dentro de nós, se perde nos pensamentos corridos de uma calma quarta-feira, de uma tensa quinta-feira e desaparece no caos da sexta-feira. já tentei identificar o que poderia ser essa inquietude, esse pleno desejo de unir palavras e dar a elas força. porém, de nada adiantou, ainda não sei descrever o como ou o por quê ou, apenas, o quê.

mas posso descrever sobre meus novos signos, meus novos códigos, minha nova vida. sinto-me livre e distante de quase tudo o que me fazia ter dúvidas. passei a comprar filmes em dvd, a querer dirigir, a comer biscoitos de centeio. voltei a usar salto alto (aos poucos), creme hidratante com aroma de morango, alargadores de aço. agora, uso cola líquida com a mesma destreza da em bastão e o estilete tornou-se tão amigo meu quanto as tesouras já eram. meus cadernos parecem nunca ter fim e a cada sentimento novo penso num filme, caso com uma música, silencio um trecho do livro do mês.

o mundo nunca me pareceu tão distorcido. mas agora, sou munida de ferramentas para tomar conta dele – ou pelo menos, para dar conta de um pedacinho que seja dele. já não me perco mais como antes, nem mesmo desanimo diante das demonstrações impiedosas de sarcasmo e mentiras… ao contrário, vejo nelas a força que faltava para que tudo fizesse sentido, finalmente.

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