mover o lugar comum

ainda não tive tempo para parar. simplesmente parar e olhar pra trás um pouquinho só, apenas para fazer listas, fazer balanças, fazer questionamentos. ultimamente, vive-se muito à frente do que se pretendia, esse é o vai-e-não-volta a que o mundo nos impulsiona. e foi então que, numa tarde despretensiosa de sábado, finalmente parei e pensei em tudo o que aconteceu no último ano. é bom quando você senta de frente para uma parede e enxerga toda a sua vida flutuando, movendo-se em direção a caminhos inimagináveis anos atrás em que, a mesma parede, era cúmplice somente de olhares vazios e ouvidos tensos, acomodados com o que teimava em acontecer.

mas a gente nunca está satisfeito, não é mesmo? acabamos por encontrar pequeninos fios de linhas emaranhadas, ou bolinhas de lã branca que insistem em grudar na nova calça preta. e é exatamente nesse momento em que tudo está onde deveria estar que não posso nem parar mesmo, viu? os olhos costumam buscam erroneamente pela poerinha chata que vem pelo ar.

é então que me lembro de muitos dos risos que o meu namorado tira de mim diariamente. gosto da maneira como ele vê a sua própria vida – e também aquela que o cerca. são dois mundos dentro de um só e ele consegue fazer com que tudo siga simples e, claro, de uma maneira muito divertida. nunca conheci alguém igual a ele e são pessoas assim com quem devemos nos inspirar: aquelas que transformam o nosso lugar comum. são pessoas que mudam uma cadeira, a geladeira e a mesa de lugar mas depois deixam aquilo pra lá. elas mudam simplesmente porque não se contentam com o comum e tentam mover-se e mover tudo o que compõe o seu redor. esse é o meu tipo de gente, esses são os meus amigos, esse é o meu namorado, esses são meus pais. exatamente nos dias em que tento parar, sinto que devo é apenas continuar. e mudar.

e mover tudo que está no nosso lugar.

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