quanto vale

a sinceridade já valeu um pouco bem mais por aí. cresci ouvindo não só dos meus pais mas també através de muitos tagarelas por aí que o bom mesmo é ser sincero. e é então que mariana vai viver seguindo à risca todo o peso jogado em suas costas para ser sincera sempre. não tinha muito o que dar certo, claro, pois hoje, qualquer revista de tamanho médio vendida pela metade do preço na banca de qualquer esquina vai te dizer que não é bem assim, tudo dois lados. e tem mesmo, viu? tem gente que não aguenta a tal sinceridade… dois mundos vivendo tão distantes (as pessoas acabam distantes uma das outras em alguns momentos, por mais que durmam juntas) e não consegue encarar uma realidade que é apenas da outra pessoa. ainda ontem li na tal revistinha média a 5 reais que a previsão para este ano, no meu signo do horóscopo chinês, é medir a tal sinceridade. a ameaça é que, se não fiz isso, o meu parceiro não aguenta e trará problemas pra gente. me peguei imaginando o eduardo, todo esforçado em me ouvir e querer me responder da maneira mais rabuscada possível – ele sempre faz isso, com o olhar voltado pro teto e um cigarro aceso na mão, desistindo disso tudo e falando uma piadinha carinhosa qualquer! eis que resolvi juntar as peças do quebra-cabeça e chegar a um acordo comum comigo mesma: será que eu pego tão pesado assim? descobri que eu pego. a relatividade da verdade me impede de silkar uma camiseta escrito sou sincera e me faz repensar o quanto a minha verdade não vale muito para você. ou talvez também nem valha para aquela minha amiga que está lá do outro lado do mundo. e não vale mesmo, assim como muitas das verdades dela não paguem nem uma barrinha integral pra mim. o melhor mesmo é acreditar no que as pessoas fazem. o que elas falam não contam como atestado de bom caráter. e comecei a acreditar no que vejo também, atitude contada geralmente é inventada. e de invenções só mesmo as tecnológicas, sabe. as atitudes dizem exatamente quem é aquela pessoa. e o que ela é pra você.

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