reinvenção do amor

já me preocupei com tanto e adiantou tão pouco que decidi me distrair e andar por aí sem tomar juízo de causa de muita coisa. aprendi com o meu namorado que contar minutos, horas, dias, meses só abrevia ainda mais o que for breve e aumenta o espaço curto do que já é curto. nós dois olhamos para o tempo como se ele fosse um amigo, como se ele nos indicasse os caminhos certos a serem percorridos naquele momento. curtimos os intervalos dos filmes como se fossem a direção certa para criarmos nosso mundo particular, aquele que mais ninguém compartilha. descobrimos olhares, vozes e cheiros durante o tempo em que nos dedicamos um ao outro e falamos bobagens, coisas sérias e inevitáveis ao mesmo tempo, sem pensar quando chegará o final do dia.

o que eu mais gosto na reinvenção do amor é justamente o novo e o real. é como sentir que chegou aquilo tudo o que você já sabia que um dia ia chegar. é saber de como é mesmo não tendo passado por nada daquilo ainda: você atesta o que as pessoas dizem por aí, você passa a dizer por aí e tudo o que você tinha certeza torna-se tão improvável quanto nunca fora.

por todas as trilhas que percorri para chegar até aqui, valeu a pena. cada cantinho do caminho revela o motivo real para me levar até onde é preciso chegar. descobri o meu segredo com tão pouco e por quase nada que quero continuar descobrindo tudo o que tiver que ser descoberto. e melhor ainda é ter alguém junto com você nesse emaranhado de acaso, abrindo os seus olhos, preservando seus passos, passando as mãos nos seus cabelos.

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