anonimato: puro luxo

minha mãe sempre comenta que as paredes dos apartamentos “de hoje” são mais finas. sejam para gerar lucros na obra, sejam por façanha de materiais sustentáveis, sim, elas deixam escapar sons domésticos. e ela não se refere àquelas óbvias de prédios com 4 apartamentos por andar, que são compartilhadas entre as residências. estamos falando aqui de edifícios com 1 por andar, como é o da casa do meu irmão. ele escuta muito dos outros, tudo até. e isso não gera felicidade, afinal, compartilhar tossidas pela madrugada ou aquele telefonema padrão protagonizado pela sogra de sua vizinha, por vezes, são bastante desagradáveis.

e é aí que vejo uma realidade cada mais tátil – a de que não mais temos privacidade nessa vida. tenho um sábio e divertido amigo que, no boom da era fotolog, em meados de 2003, sempre me cutucava com a os dizeres “hype será aquele que não tiver sua vida acessível”.

foi uma boa profecia, uma vez que em 2010 vemos blogs, tumblrs e twitters brotarem como plantações de chuchu, fotos estampando a bermuda amarela do seu vizinho da rua de baixo, dados de estado civil em que é declarado o divórcio da madrinha daquele ex-namorado da sua prima de 2ª grau na internet, vídeos do zé do boteco cantando karaokê na segunda-feira… quem disse que anonimato viraria artigo de luxo?

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