cotidiano • parte 1

eu poderia conversar mais com as pessoas durante um dia comum mas me falta tato, ânimo talvez, não sei ao certo como definir o que acontece, nem mesmo de onde isso vem.

lembro-me sempre de fatos da infância que retratam o início da minha carreira de rainha do blasé. acho que a mudez vem daí, foram anos de vergonha alheia. sou bastante crítica, por vezes fechada e, com aniversários passando, maiores se tornam nossas características mais prolixas. pensando nessa pauta, vem à tona um adesivo que meu irmão mais velho, nos seus então 18 anos, tinha afixado na porta do quarto: nele estava escrito “fale apenas o necessário”. eu era uma criança de 5ª série e simplesmente achava aquele papelzinho colado o máximo. proferia pelos corredores do colégio o quão importante eram aquelas palavras dignas de serem emolduradas numa parede branca e iluminada.

hoje, quase 20 anos depois, vejo que esse fato contribuiu bastante para a construção da mariana adulta. penso mais do que falo, falo só o que penso. convicta na arte de segurar a boca, faço um apelo à todas aquelas pessoas que me vêem regularmente mas que ainda não souberam me conhecer:

fale apenas o necessário.

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