aquele herói

dizem que tudo o que vivemos está guardado nas gavetas que compõem o nosso inconsciente. então deve ser por isso que a certeza de que a nossa proximidade vem desde os meus primeiros anos de vida sempre esteve bem lúcida na minha mente. além das brincadeiras e piadinhas ingênuas no âmbito doméstico, o mais importante laço se firmou a partir dos meus poucos 4 anos de idade, época em que comecei a frequentar a escolinha. saíamos juntos bem cedinho, você para o trabalho e eu para os iniciantes passos rumo à vida adulta. e assim vieram as fases básicas da vida: cursinho, faculdade, estágio, trabalho, faculdade 2, trabalho… e eu permanecia ali, ida e volta, ao seu lado, no nosso carro.

as caronas diárias nessa porcentagem tão grande da minha vida são reflexo da nossa amizade já tão especial e resguardam os anos de ouro como os sábados de parquinho, em que você comprava uma cartela repleta de ingressos para quantos brinquedos eu pudesse ir. mesmo que todos os cavalinhos, trenzinhos e cataventos não fossem suficientes, não haveria qualquer problema, afinal, os “vale alegria” restantes seriam gastos na próxima semana.

em momentos assim, éramos imbatíveis. nada parecia penetrar naquele mundo em que eu podia brincar, correr, cantar e deliciar um grande algodão-doce porque era você, pai, quem garantia a felicidade da minha infância e a protegia como que a uma pedra preciosa. e é a você quem devo tantas lembranças intactas, responsáveis por trazer valores como lealdade, honestidade, otimismo e companheirismo à minha personalidade. o segundo domingo do mês de agosto é o seu dia como pai de família, mas todos os outros do ano são dignos de serem uma homenagem ao seu caráter como o meu único herói.

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