marianas

giovani punk

pensava que já tinha sido muitas marianas até aqui. mas a essência é a de que sou apenas uma no total, as outras são incríveis coadjuvantes que resolvem povoar as minhas próprias conquistas diante de um novo desafio. as outras marianas surgem, como que por necessidade de auxílio, mas por vezes, tornam-se mera coincidência, desaparecendo na mesma velocidade com que surgem. sou muito em uma situação e pouco em outra. posso ser uma naquele momento e outra com aquela pessoa. por mais que sejam negadas, as máscaras sociais caem no seu colo com uma etiquetinha afixada que grita em vermelho “me vista”. alguns dizem que é escolha; outros, que é “filadaputagem” mesmo. e tem a velha desculpa esfarrapada do “a vida é assim”.

hoje me vi como aquela mariana de tempos atrás. tempos bons, a que me refiro. passei bons anos acreditando que minha escrita, antes elogiada e lida com gosto pelas pessoas, era façanha dos maus tempos. dei uma grande satisfação ao tempo das folhas úmidas, quis emitir notas fiscais para a tristeza quando conseguia povoar a folha em branco de palavras tocantes. à medida que fui dando forma à uma vida tranquila, como aquela de tempos antes, me entreguei à essa boba ideia de que só conseguia escrever quando estava triste. e assim permaneci sem novos textos, sem novas mensagens, afinal, tudo estava no seu devido lugar.

a outra mariana apareceu e me fez enxergar que melhor seria se eu conseguisse escrever em um presente tão calmo. presente como aquele da mariana ainda anterior. e por que não? resolvi me reinventar. e aqui estou, feliz com os botões, acreditando que, sim, finalmente venci pequenas barreiras de vaidade e grandes bobagens que criamos para nos frear sem motivo.

aqui estou, mariana, sem outra mariana, mas muito mais uma nova mariana.

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