minha nova segunda-feira

irene miravete

há aquelas segundas-feiras em que acordo com a maior disposição do mundo. o objetivo do jogo é tomar banho, escovar os dentes, lavar o rosto, passar o creme, sorrir para o espelho, arrumar a cama, escolher a roupa mais fácil do armário, passar a maquiagem versão trabalho e tomar um cereal qualquer com um iogurte de sabor qualquer. tudo isso o mais rápido possível. fazia tempo que uma dessas não começava tão animada quanto a de hoje, acho que devo isso ao término acolhedor da noite de ontem.

domingos costumam ser difíceis, sabe. vai anoitecendo e o meu peito dá uma apertada. são fatos como a ida do meu namorado para a sua casa. gosto tanto da companhia dele que o final de semana é muito pouco para aproveitar toda a diversão que ele promove, fica uma vazio “assim” depois que vejo da janela o carro sumindo através das copas da árvores. tem também a despedida da minha sobrinha, que vai brincar comigo semanalmente. quando o soninho da tarde chega, é como se toda a minha oportunidade de colorir nuvens se perdesse por completo e aí chega a hora de encarar novamente as folhas sujas do jornal. crianças de 1 aninho tem a capacidade de transformar nosso mundo com apenas um dedo mindinho. ah, e protesto pela alta da duração do almoço em família, também!  quanto menos espero, já estou diante das sobremesas de frutas que a minha mãe faz e meus olhos começam a vacilar quietinhos, pedindo uns minutinhos de sonhos na cama.

eu sou aquela que se sensibiliza com as despedidas. e em plena terça-feira, por exemplo, se for preciso. é como se o mais importante da minha vida ficasse guardado em uma caixinha durante todos os outros 5 dias da semana e a minha vida real mudasse de endereço temporariamente. mas o que eu não havia pensado antes é que, vivendo afirmando isso, estaria sendo uma pessoa ingrata e esse seria exatamente o pensamento em que pousa o meu erro, afinal, onde mais estariam o namorado, a sobrinha e a família senão exatamente aqui, agora, me acompanhando em mais um dia de “bate-crachá” no escritório, bem dentro de onde moram as minha lembranças?

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