urgência de viver

tito atchaa

vez ou outra me pego lembrando da roda gigante. como eu gostava daquele brinquedão ambulante, mesmo tendo uma leve tendência ao fanático medo-de-altura. a sensação de estar lá no alto me faz sentir o mundo mais próximo. tudo parece ser tátil, acessível, real. o parque a que ia quando criança era imensamente recheado por árvores bem antigas, o que rendia copas frondosas para os meus olhinhos marejados. gostava de ver aquele emaranhado de folhas sob meus pés, é como se meu lar estive ali e, durante todo esse tempo, tivesse vivido só pra chegar até ali, naquele segundo, naquela paisagem. aquele postal estava diante dos meus olhos somente e banca de jornal nenhuma tinha pra vender.

são poucos os momentos que te fazem sentir essa urgência de viver. mas grandiosos são todos eles. incomparáveis são os dias de roda gigante, foram dois ao todo. a última vez que conversei com meu namorado, antes de ele se tornar namorado, foi único também. gosto tanto ou mais desse dia simplesmente porque o conheci de verdade, como um colega, e vi algo além da figura romântica: só havia ele falando dele mesmo e sem nenhuma pretensão das partes de se tornarem um par. a primeira vez que vi letícia na maternidade também me tira o fôlego. tornar-se tia é algo muito gostoso e ter um bebezinho com traços que mais parecem seus é algo repleto de amor.

sei que tenhos outros dias em que senti urgência, mas os latentes estão rodeando meus ânimos nesse instante. e não consigo deixar de registrar o quanto tudo faz sentido até agora, quando cheguei até aqui. ter o pulso bombeando já é uma gratidão imensa que só me faz querer viver muito mais.

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