brevidade

annabelle breakey

o telefone nunca foi capaz de abreviar minha saudade. nem de animar meus sentidos. não gosto de telefone e possivelmente não gostarei com o passar dos anos. sentia meus amigos muito mais distantes do que realmente estavam e a minha palidez se refletia através da voz. breve é o telefone, capaz de compactar o amor. grandes sentimentos não ecoam através de aparelhos e pequenas solidões não se desfazem em breves monossílabas. o telefone sempre representou muito pouco pra mim. ele mascara a chance do encontro, impede o olhar, nega as mãos dadas. falar sobre o nosso amor não devia ser cobrado nem medido em minutos.  falar sobre o que mais nos diz respeito só devia ser feito pessoalmente, sem ruídos, sem antenas, sem quilômetros. fui uma adolescente que trocava cartas com pessoas de muitos lugares, muito distantes de mim, e, nos textos nada breves, nunca citávamos o telefone. o espaço entre as palavras escritas e os envelopes coloridos eram pessoais demais para aceitar interferências. continuo enviando mensagens escritas para a minha listinha de pessoas amadas e deixo as mensagens faladas para a brevidade do final do dia.

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