natalino

bom mesmo era quando eu ia para a casa dos meus priminhos que moravam no interior de minas. contava os dias para chegar o momento em que veria a estradinha repleta de árvores e montanhas marrons. e a ansiedade era tripla: além de brincadeiras e bolo de fubá, aqueles seriam dias de muita magia, afinal, era natal, a melhor época do ano pra mim, depois do meu aniversário, é claro.

tinha bons motivos para amar o natal. via tantos tios, primos, amiguinhos, tias-avós e madrinha. mas o auge da lembrança era quando ouvia história fantásticas do meu irmão. por ser 7 anos mais velho, essa pequena distância fazia com que o seu nariz desse uma torcidinha pra mim… ah, mas com o natal, nada parecia impedir seu carinho. leo passava horas explicando como era possível o papai noel desaparecer tão rapidamente dos meus olhos daquela maneira desapercebida por mim. achava aquele velhinho muito sabido, me intrigava verdadeiramente com todo aquele mistério. e o mais importante disso é do quanto a crença no mito era importante e estimulava o meu fascínio, me fazia querer saber mais e mais. encantava minha mente ao mesmo tempo em que aproximava uma criança de 6 anos e um adolescente de 13.

muito do que sou vem do que vivi nos natais passados na cidade de arcos. todos os anos viajávamos 3 horas para reencontrar entes queridos que hoje já nem vivem mais, estar em casas que já nem habitadas estão mais e escutar histórias escritas sem roteiros. o que enche o meu agora é que poderei fazer os meus futuros natais com um pouquinhos destes. certos sonhos não devem ser desfeitos nunca mas sim refeitos em todos os dezembros.

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