o segredo da caixinha amarela

quando adolescente eu cheguei a ter muitos correspondentes por carta. é coisa do século passado mesmo e às vezes eu nem me lembro direito o mecanismo da coisa mas funcionava que era uma beleza. era lindo até. quando falo e penso sobre isso, sei que o número era algo em torno de 60; uma caixinha amarela de sapatos que guardava envelopes brancos com bordinhas verde/amarela, por vezes laranja. tinha o fb (ou friendship book), que era o responsável pela divulgação dos endereços das pessoas interessadas em trocar correspondências – era assim que você conhecia pessoas e assim respondo como consegui fazer tantos amigos. não se veiculava fotos, o atrativo eram as cores, a letra, os adesivos, as ilustrações.

depois de muitas cartas e meses de conversa é que fotos eram trocadas. a ingenuidade era uma qualidade. e as boas pautas dos diálogos, uma premissa. em tempos de msn, gtalk e twitter muita gente não entenderia mesmo como era possível essa rotina de ir até o correio e despachar tantos envelopes recheados de cartinhas feitas à base de papel pautado, de carta, canetinha, adesivo cheiroso, lápis de cor.

eu mantive amizades com meninos e meninas de cidades de são paulo, rio grande do sul, santa catarina, rio de janeiro, ceará, brasileiros erradicados no japão, alemanha, estados unidos… até encontrei 5 ou 8 amigos no inicinho da popularização da internet via e-mail mas, coisa louca dessa vida, não deu certo, a amizade acabou por ali: foi assassinada brutalmente pelos bytes.

amizade por carta só vale se for por carta. mesmo que a carta fosse digitada no computador e impressa, a validade só vinha com os selos. e assim se foi essa parte da minha vida. assim como se foram os amigos da época do icq, sites pessoais, fan sites e cliques… esses são os meus anos 90 e 2000 de caixinha amarela.

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