cobranças

como se não bastasse a companhia telefônica, a central de energia, a tv a cabo e a mãe nós também cobramos a nós mesmos. eu ando num tal de ‘preciso pintar meu cabelo, porque só o fiz uma vez na vida e ele está sem brilho’, ‘tenho que ligar mais para as pessoas pois estou sendo uma amiga muito relapsa’, ‘preciso beber mais água, comer mais legumes, cortar o sal’, e por aí vai… e a impressão que tenho – e que todos também têm, eu sei, é a de que o mundo anda numa velocidade absurda: os ponteiros do relógio estão girando mais rápido. não acredito que sejam as pilhas mais potentes de hoje em dia, nem as baterias. a informação vem em uma escala avassaladora, as palavras entram e saem em questão de segundos e acredito que nessa ansiedade toda nos apegamos a mania da autocobrança (neologismo?).

para escrever este post, me cobrei, pois já havia algum tempo que não escrevia aqui. para ligar o laptop houve a cobrança de ir até a área de serviço e pegar um paninho seco por ter deixado marcas de dedo na tela. ah, as cobranças. elas nos deixam ajuizados. mas em excesso, arruínam nossa calma, abreviam nossas rugas por anos e encurtam alguns sorrisos do final de semana que já vem fresquinho por aí… vou me cobrar para pegar leve dessa vez!

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