party night

vi que você estava na última mesa do bistrô mais badalado da cidade. cadeiras ocupadas, rapidamente passou pela minha cabeça se haveria uma para mim. no meu campo de visão não tinha mas certamente você pensou nisso, afinal, amizade é para isso. tive que caminhar por todo o local até chegar lá. muitas pessoas, muitos olhares. ouvi bowie. tocava tanto da gente e um pouco do que fomos um dia. o cardápio revelava códigos indecifráveis até o momento – muitas semanas sem sair de casa dificultam o conhecimento das receitas da moda. optei pelo drink colorido de sempre, ouvi as conversas bobas dos outros, pensei nas festas em que não estive, concentrei em seu sorriso. saimos para fumar um cigarro, maldita lei anti fumo. rimos das piadas contadas com meia hora de atraso, apressamos o passo, pensamos no próximo drink a ser pedido. as horas passaram rápidas e seguimos firmes para o próximo programa da noite. encontramos outros comparsas pela rua, escolhamos o novo club de que todos não param de falar na internet. choramos um desconto na porta. mais bedidas para escolher. velhos amigos à espera, mais vodka liberada, mais facilidades. mas, dessa vez, uma supresa: o dj amigo toca velhas conhecidas. de repente 2005 parece estar tão próximo que o salto 13 centímetros já não mais é um empecilho; outro drink nos aguarda. danço convicta de que a pista é somente minha e que realmente sei dança muito bem. conversas disputadas com as caixas de som, risadas premiadas pelas músicas oldschool, o tempo insiste em correr. nossa festa termina com os seguranças avisando que a casa vai fechar. hora de passar o cartão. o namorado abre a porta do carro sorridente. dou inúmeros abraços no melhor amigo. olho para cima e vejo um céu cor baunilha. é como o testemunho do nascer do sol que víamos em 2005, o melhor ano de nossas vidas. e ele se repete a cada bom dia que temos, por toda a eternidade. e assim sempre será.

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