pequena fuga

há dias em que não quer voltar pra casa. pensa em fuga. algumas ideias simplórias, outras inusitadas. vagar pelas ruas próximas à saída do trabalho seria uma opção, mas lembrou-se das esquinas sujas e maltrapilhas, não aumentaria sua angústia com mais uma dose de degradação. quem sabe ir até a praça, o ar puro faria bem. daí checa o tempo pela janela e vê seu possível refúgio enevoado em cinza. desistência. prepara-se para mais um esforço mental. rodar de carro pela cidade não é tão atraente quando se está submerso em pensamentos, tomar um café poderia aumentar o seu vazio, assistir um filme no cinema poderia ser exaustivo. nenhum lugar parece ideal. seu coração avisou-lhe de que quanto mais mágoas eram criadas, menor tornava sua capacidade de julgamento, preferia o calar-se. fugir daqueles com quem mais convive para então descobrir a que veio. só assim poderia livrar-se de tanto rancor.

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