curtos sonhos

sharon cooper

muitos já foram os sonhos que jorravam sem destino certo. velejar um barquivo branco e azul em águas pálidas. frequentar ruas distantes, com seu chão de pedras gasto, já amarelado, perdido e não encontrado. descobrir sentimentos nunca imaginados, sequer planejados, soltos, fantasiados. pensar em si mesmo de uma maneira diferente daquela que já estava acostumado a fazer cotidianamente, era chato do modo como fazia – e errado também. sonhos veem e vão, somem no fim do dia mas reaparecem sem aviso prévio e trazem consigo uma esperança, uma solidão, uma mancha na escuridão. sonhos podem iluminar o inverno, angustiar os pesadelos, apressar os passos, como também paralisar todos sentidos. os sonhos da espera, do regresso, da comoção. quis voltar à uma cidade da qual nunca teve notícias. sentir saudades de um sabor que nunca experimentou. muitos já foram os sonhos assim. muitos serão assim. assim serão muitos deles.

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