incompreendida

não conseguia se expressar abertamente por conta do outro lado de lá. poderia falar o quanto pudesse, espalhar palavras, abrir-se por completo, expor seus sentimentos que de nada valeria. problemas de comunicação. sufocava-se em ideais que, por mais importantes que fossem, tornariam-se fantasmas. a vontade era de encontrar a liberdade a todo custo e não mais ouvir frases tão agressivas, rancorosas e, a causa de tudo, injustas. à medida que o tempo passava menos compaixão sentia. o vazio entre as duas aumentava e nada podia ser feito. conversas eram cada vez mais evitadas e, assim, o respeito esmagado. perdia a admiração por ela, desistia de vê-la como um exemplo. preferia recolher-se em si mesma por temer as reações negativas de sempre. estava consciente no escuro, tudo fazia sentido mas sua visão era solitária. de que adiantava saber do que se passava se era sempre incompreendida? ela permanecia cega em sua verdade, acreditava que não ouvir o que tinham a lhe dizer seria um lugar confortável. e era exatamente essa ilusão que distanciava mãe e filha, dia após dia.

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