o primeiro encontro

como explicar o nosso amor, sintetizá-lo em palavras? não saberia como fazer. isso porque o nosso primeiro encontro foi igual aos das séries teens que eu via na tv e até hoje não acredito que você conseguiu suprir a carência infantil que eu tinha em sonhar com o jantar perfeito assim como o que você me deu de presente. vivo lembrando do dia. teve todos os clichês do mundo, desde a porta do carro sendo aberta pra mim até os bombons e rosas vermelhas na volta pra casa. o lugar era lindo, as pessoas também, minha bota era nova e eu usava uma jaquetinha a la bowie que me enchia de orgulho. você usava um sueter listrado, ficava lindo dirigindo de óculos e eu ouvia seus casos engraçados tentando decifrar como seria sua personalidade. pedimos frutos do mar e bebemos coca cola. falamos sobre a faculdade, o quanto estávamos cansados daquilo tudo e eu te mostrando o meu sketchbook cheio de colagens e rabiscos. as horas passaram bem rápidas. foi então que fumamos um cigarro na porta do restaurante, que mais parecia um sobrado antigo de ouro preto com o luxo de tiradentes, e você me surpreende pedindo para que eu o levasse para o meu lugar preferido. achei aquela ideia o máximo, todas as boas sacadas que você tinha eram o máximo, tudo parecia se encaixar e aquele momento parecia ter sido enviado por sedex. o segundo encontro também foi lindo, com café e chantily, amigas chegando ao acaso, caminhadas pela savassi. o terceiro já era dia dos namorados e você me deu uma colagem de presente, além de todos os outros presentes. eu, que sempre colei para todos, acabava de ganhar uma só pra mim. sorri. era o nosso segundo jantar e você continuava a me surpreender. mais clichês românticos e eu desconfiando daquela sorte toda.

e já próximos aos dois anos de namoro, sei que o nosso amor veio pra ficar. já tentamos estragar tudo mas não conseguimos. nós dois somos feitos de conversas diretas, de humor variável, de dvds à tardinha, de você correndo para fechar as portas do armário quando eu entro no seu quarto, de cachorro-quente com pão integral e salsicha de soja, de telefonemas de boa noite, de tentativas frustadas de brigas reais, de risadas e piadas infames. temos em nós as fotos na carteira, os cartões fofos colados no scrapbook, os e-mails com emoticons bobos, o sms de desabafo na fila do banco. somos todas as pequeninas palavras que inventamos, as onomatopeias que usamos, as frases que repetimos. criamos um mundo particular com capacidade para duas pessoas. usamos a mesma escova de dentes sem querer às vezes.  mudamos muito do que éramos, para melhor. criamos um sentido para a vida depois de engolirmos tantos sapos. temos orgulho de todas as adversidades que driblamos, confidenciamos tudo um ao outro. temos os sucos de dois sabores que você faz, as suas caretas que eu sempre tento imitar com primor, temos lembranças. somos sonhos, futuro e planos.

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