pessoas

pelúcia vermelhinha
borracha metalizada
cheiro de ameixa e flocos de chocolate
aperto no coração sem hora ou motivo aparente
sei de tudo mas finjo não saber

esconder marcas passadas, virar o rosto para o que se vai
deixar nas mãos do desconhecido os rumos do meu coração
é como uma noite sem música, um copo de refrigerante sem limão, uma tarde sem cappuccino quente.

frágeis sentimentos que se vão com o vento
os sons que alegram meus ouvidos, amenizam a dor que atrapalha meu sorriso

fases surgem e passam na vida da gente. músicas tocam e animam por segundos tudo ao redor. já não sinto mais saudades, passei da fase de culto ao pretérito-mais-que-perfeito. agora, só penso no futuro. quem sabe futuro-do-pretérito? não, apenas futuro. incerto e inconstante.

vivo sonhando acordada em um mundo colorido e tranquilo.
imagino meus atos.
vejo meus pés correndo por todos os cantos.
vejo pessoas.
amo e não sei se elas me amam.
é sempre assim, até me acostumei.
só não me acostumo a deixar de amá-las. porque o amor é de uma pessoa só. quem tem sabe o que é. e sabe que é algo só seu, que independe do outro. por isso é tão angustiante às vezes.

mas quando olho pro lado e vejo o outro tipo de amor que recebo, quando percebo a proteção que me dão, o carinho que é despejado sem condições em cima de mim, paro e agradeço o que tenho. não quero nada, não exijo nada. só espero. espero o tempo certo. porque as coisas são quando tem que ser e pronto.

só preciso ser sincera.
só tenho que ser eu mesma.
só posso dar o que está ao meu alcance.

eu sei que o que está fugindo de mim está indo embora porque tem que ir. estou conformista diante dos sentidos.

o amor chega sem avisar.
mas ele pode ir embora do mesmo jeito. basta querer.
no fundo, sei que ele vai permanecer, mas aí é só fingir que ele não está mais aqui.

fingir para sorrir um pouco. fingir para esquecer um pouco.
fingir porque é preciso. fingir uma vez só na vida porque ninguém no mundo pode sofrer por alguém. deveria ser um crime com penalidade máxima!

descobri que o futuro está mais perto do que eu imagino. e pra ele ser perfeito, que nem o pretérito, é preciso viver o que tenho. jogar com o que me aparece, brincar num jardim sem flores como se elas estivessem lá!

vou plantar as florzinhas amarelas em cima do concreto escuro.
vou cobrir as ruas de nuvens gordas e cor-de-rosa.
vou espalhar doces por onde eu passar.

açúcar nunca é demais. ainda mais quando se vive com paixão. quando se vive com amor. quando se vive com intensidade, assim como faço.

logo, logo, eu também ganharei docinhos. é só esperar. esperar.. esperar.. enquanto isso, brinco em baixo do sol, pinto um arco-íris gigante, ponho alegria onde não tem, trabalho para que o cinza se torne azul clarinho. sigo adiante.. adiante…

sempre pensando no melhor que tenho.
e o que tenho ninguém tira. porque o amor mantêm tudo aqui, dentro dos meus pensamentos.

*texto publicado no meu blog antigo em 22 de novembro de 2004

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