suspiro

nada de dedos no vidro da janela, nem marcas de suplício entre as portas.
corri meio mundo só pra ver o sol nascer daquele jeito que vi naquele dia
mas eu me esqueci de que certas coisas se apagam com o vento,
só não se vão com o pensamento
e aquele sol eu nunca mais veria, não mais daquele jeito.
mesmo lugar, mesmo sentimento, não adianta
tudo se perdeu como um suspiro leve e doce, afogado em uma manhã qualquer
perdido em um momento qualquer
esquecido por um novo qualquer
que, ao mesmo tempo, se torna um presente qualquer
prefiro o velho ou o novo tempo?
acho que o novo. o velho era complicado demais. vazio demais.
meus sentimentos se perdiam em um buraco sem chão
se machucavam por tão pouco, às vezes por nada.
o silêncio se tornou mais bonito
a espera, mais doce
os olhos, brilham mais.

*texto publicado no meu blog antigo em 14 de setembro de 2004

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