o decreto da falência

a minha coluna dói. ao mesmo tempo em que dedos do meu pé latejam como se ainda sofressem uma manhã pós-pista. e isso ocorre nesse exato momento. meu organismo também já não é mais o mesmo: estou cada vez mais pálida, novos ossos aparecem e nem o chocolate que eu como tem o mesmo gosto de meses atrás. minha cabeça dói, grande novidade após 24 anos sem exanquecas ou dores extremas. desacreditei. deletei os sonhos, escondi as expectativas, pintei com tinta preta a inocência. decretei falência absoluta da minha concepção de mundo. rasguei poemas, queimei fotografias, quebrei lembranças de porcelana. revoltei contra mim mesma, sabendo que tal atitude em nada adiantará, talvez até contribua apenas para uma vida amarga. mas às vezes a nossa vida fica tão sem sentido e tão sem pequenas alegrias que a gente acaba indo para o caminho mais fácil, que é o da autodestruição. cada um utiliza os mecanismos que tem. eu só tinha meu quarto e minhas revistinhas. então eu me prendi a ele e viverei de forma mecânica a maioria das situações que aparecerem à minha frente. não espero mais nada do que esperava. quando a coluna dói, você aprende que o melhor a fazer é esquecer que você sonhou apenas com um amor simples.

*texto publicado no meu blog antigo em 27 de março de 2006

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