recortando nuvens

não poderia recortar aqueles sonhos nem deixar de imaginar aquele lugar no mundo já que deles sou feita. pude trocá-los por cadeiras, infinitas delas, organizadas por cores e sabores, mas não o fiz. se for para doá-los, que seja então por mais memórias, aquelas que se perderam com as migalhas pelo esquecido caminho de antes. que seja por mais tardes despretensiosas, por mais conversas engraçadas, por mais uma colher de chantilly. andarei ao seu lado colecionando pegadas, descobrindo aromas, trocando novos sonhos. dos antigos, pouco sobrou; foram apenas nuvens amarelas recortadas pelo vento. novas delas se abriram, trazendo o que chamo agora de vida.

Anúncios