nosso tempo

joan vicent canto roig

sou da época em que ideia tinha acento, maçã era doce, computador era bege e as músicas mais pedidas do dia eram gravadas diretamente do rádio em fita k7. gibis eram artigo de coleção, tampinhas eram de latão, tênis vans era de luxo. o telefonema custava caro, melissa não tinha estação, cadernos entrevistavam os amigos com pencas de perguntas.

sou do tempo em que beijos eram conquistados, abraços valiam ouro e saudade se matava por carta. andávamos de mãos dadas com as amigas pela escola, brincávamos de barbie até os 13, colecionávamos figurinhas que vinham em chocolate. dedicávamos músicas para o menino por quem nos apaixonamos, concorríamos pelo patins fluór, sonhávamos com o show da matinê do final de semana.

sou do ano em que as calças eram justas, as revistas traziam traduções de músicas, vocalista de banda de rock vestia-se como grunge. vivi uma infância de personagens politicamente incorretos, filmes de aventura, sucrilhos colorido, sopa de letrinhas, aparelho de som em cores primárias. vivi uma adolescência de clipes musicais gravados no videocassete, house parties com limite de duração até a meia-noite, negativos de fotografias, internet sem google.

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