ao extremo

WIN-initiative

caos era o nosso endereço e nada poderia nos impedir. andávamos em bando, nunca sós, seguíamos fortes, munidos de livretos xerocados que mais pareciam armas biológicas. a nossa música às vezes nem soava como tal: um conjunto desconexo de melodias seguiam o fluxo de maneira lúdica, artefatos improvisados potencializavam nossos gritos. o mau comportamento era uma saída para vidas tão controversas; a verdade é que não tínhamos para onde ir, não vínhamos de lugar algum, não queríamos mais do que já estava ali. o desajuste era uma constante, a destruição empolgante. não existia “bom dia”, horário de almoço, telefone celular. caos era o que tornava o nosso ambiente fragmentado e, por isso, transfigurado, gostávamos disso. por vezes era libertador detectar o quanto estávamos perdidos. o nosso rumo era indefinível, o plano indefectível, o caminho sombrio, nossas vidas rascunhos. perspectivas não condiziam com o que víamos: um sem fim de dias do desejo de fuga que pulsava diante de nossos olhos.

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