tesouros de papel

liz teketee

já esperei ao pé da caixa do correio por notícias suas. fazia a conta mental de quantos dias meu envelope contendo a tão animada resposta gastaria até a sua casa. já comprei selos a mais para estocar na gaveta, adesivos para diferenciar o meu chamado, canetas coloridas para saudar o seu nome. já participei de correntes de postais pelo mundo inteiro, já doei tesouros de papel, já queimei cartas por não ter onde guardá-las. hoje já quase não escrevo mais à mão; facilidades da vida moderna, pra quê ignorar certos mimos?

foi bom ter nascido em um período que me proporcionou esta experiência. tenho boas lembranças de receber suas cartas, amigo, sempre pronto a me enviar um desenho, um recorte, um alento escrito. hoje já nem sei por onde andas, tampouco te encontrei nesta vastidão virtual. o que ficou foi aquela época de carteiro amigo, sempre sorrindo diante da minha espera, sempre pronto a me entregar lembranças que jamais se apagarão.

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