histeria coletiva

howard shooter

posso dizer com clareza que a minha vida está bem tranquila. hoje, tempo presente, manhã de sexta-feira, janeiro de 2012. mas nem sempre foi assim. há muitos anos não era assim. todos nós passamos por momentos caóticos, por crises que parecem durar cem anos, por situações cotidianas insanas além de que, pelo menos umas três vezinhas na vida, nós acabamos por conhecer pessoas capazes de bagunçar tudo (ou que apenas contribuem para isso). em algumas adversidades vivenciei problemas pessoais que, como já não bastassem por si próprios, vinham acompanhados de histeria coletiva.

muita gente querendo dar o pitaco, relacionar a um fato próprio, fofocar por diversão, contar um caso ou, simplesmente, aumentar a história com inverdades só por diversão. faz parte. principalmente quando se alimenta perfis públicos na virtualidade. nesse tempo apareceram pessoas dispostas a ajudar. nem que fosse com um emoticon feliz para me animar. e foram muitas. só que nesse meio tempo aparecem outras nem tão honestas assim, nem tão solidárias assim, muito menos amigas assim. estavam ali só para fazer parte de algo que deveria ser lavado em minha casa mas, por ócio dos outros, ganhou proporção e virou histeria de um grupo militado por gente de toda espécie, personalidade, vínculo social. já teve gente que eu nunca nem tinha visto. e fez questão de opinar a respeito. hoje veio a tona uma curiosidade momentânea a respeito dos movimentos que surgem como faísca sobre coisas que dizem respeito a apenas duas pessoas.

talvez seja porque aquele um se identificou com o ocorrido. ou aquele outro sentiu uma pontinha de prazer sádico ao saber que alguém estava passando por aquela situação. e ainda tem aquele curioso que estava com insônia no dia e resolveu se aprofundar mais sobre o que estava acontecendo – e aproveitou para fantasiar um pouquinho, afinal, estava com tempo. o bom da vida é que o tempo passa. e aqueles que têm a dádiva de ganhá-lo se beneficiam com sabedoria. depois de muitos anos sinto que todas estas pessoas contribuiram de alguma forma, mesmo que ferindo e julgando erroneamente. tudo isso porque o que aconteceu tornou-se coletivo. e depois que a coletividade se esquece efêmero se torna.

foi pura histeria. muitos e-mails. alguns telefonemas. provas excluídas. conversas exorbitantes na madrugada. e eu só querendo saber de resolver aquilo tudo, digerir por completo uma sucessão de fatos infelizes, acordar mais cedo para ir até a padaria comprar um iogurte e sentar na pracinha do bairro. mas a histeria não te deixa esquecer. por mais que você trabalhe para isso. e foi assim que aprendi a me afastar: diante de um quadro cercado de dúvidas, medos e opiniões de todo o canto do mundo só nos resta observar de longe, nos posicionar para fora de todo o emaranhado. e uma vez distante e silenciosa toda a histeria vai se esvairindo aos poucos, perdendo força e, o principal, seu motivo de existência. e a tranquilidade finca sua base por completo. hoje tenho boas lembranças. e sinto que acertei muito na vida. todas as minhas escolhas que me fizeram chegar até aqui, tempo em que me orgulho muito do que fui e sou, tempo em que sou grata por ter tantas coisas incríveis e verdadeiras em meu dia a dia. plantei boas ações e estou colhendo amuletos.

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