nirvana

lauris love

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a saudade torna-se cada vez mais rara. as mudanças fazem com que fixemos raízes em solos férteis. plantamos um novo mundo a cada dia de trabalho árduo, traçamos metas e seguimos rotas que nos levem a um só fim: o da concretização dos nossos sonhos. até mesmo os sonhos mais doídos – de tão desejados – mudam e não há nada que possa mantê-los. em meio ao caos encontrei o sentido daquilo que faz o coração bater mais forte. e foi em meio à maior das confusões que pude entender o por quê de tudo acontecer. aprendemos que nada é por acaso quando enxergamos que estamos no lugar em que sempre planejamos estar. e podemos fazer mais do que imaginamos para nos mantermos na calmaria da realização.

para poder viver o momento libertador foi preciso aprender. e compreender que a vida oferece o caos para se chegar ao nirvana. isso pode ser custoso mas bastante real. por aí ouvi que a dor era supervalorizada, que os danos cortavam as artérias a ponto de nos tornar cegos mesmo estando a apenas um palmo do nascer do sol mais amarelo e radiante que um dia é capaz de conceber. na verdade faltou dizer que tudo não era uma questão de autopunição mas sim o exercício de viver. tecer dias com a plenutide que só uma mente jovem tem a sabedoria de fazer, escolher trilhas com a vivacidade que só o caos de um coração imaturo tem a doçura de guiar. nada foi em vão, suportar o cinza não foi uma perda. somos vencedores dos atropelos, sobreviventes das descobertas, abençoados do mal entendido, olhos brilhantes de um rosto de vinte e poucos anos.

não é preciso viajar milhares de quilômetros nem escalar montanhas cobertas por neve para se encontrar o éden. o meu éden sempre esteve aqui, sempre foi aqui e ao seu lado é que ele está. cada história me trouxe até aqui, me levou até o agora, me guiou até o precioso dia em que incertezas foram assassinadas pelo amor. vivemos a queda, a solidão, a dúvida e a inquietação com amor. não há máscaras, mágoas, mentiras ou falsos aliados, com o amor nenhuma sombra pode restar. com o amor ganhei o maior dos sonhos que uma juventudade feliz pode render: a paz de ser quem somos e a gratidão por não querermos que nem um segundo passado volte. somente nós contra o vento que bate frio em nossa direção – e não é capaz de voltar.

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