sobre anjos

noel hendrickson

existem os anjos que tocam harpas, que se iluminam com a própria auréola enquanto vigiam o mundo aqui em baixo deitados em nuvens, que irradiam luz por onde voam e que acalmam bebês chorosos. mas há também os anjos feitos de gente que, silenciosamente, nos protegem com muita compaixão. eles nunca nos abandonam mas em momentos frágeis, ele se fazem perceptíveis. um anjo no supermercado me surpreendeu com uma latinha de presente sem saber que eu as coleciono – este nunca tinha me visto na vida. outro anjo estava longe de mim e, como que por mágica, veio à minha procura no momento em que as lágrimas embaçavam o meu todo. e ainda teve o anjo que fez de tudo para me fazer rir no dia em que todas as piadas foram assassinadas por um palhaço que perdeu o emprego. se eu pego um ônibus errado, esqueço o dinheiro em casa ou perco a noção do que acontece aqui dentro do peito são os anjos quem se mudam de mala e cuia para o meu mundo e fazem de tudo para que eu consiga fazer dar certo. por muitas vezes, acabo me esquecendo de suas asinhas brancas batendo serenas por mim, confesso. mas eu nunca deixo de enxergá-los nos mais pequeninos gestos. se amanhã olho para frente e vejo flores o mérito é todo deles.

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