recado para o mundo

beth retro

entreguei aos céus a minha fraqueza. contei por todos os ventos que percorrem os polos do planeta a minha verdade. ok, mundo velho, vou decepcioná-lo mas eu escolhi o amor. e sei disso desde que era um bebê, só que omiti, afinal, você é a minha morada desde que saí da maternidade. sou uma sem vergonha em finalmente escancarar para você que, pelas suas costas, eu me dedico pelo amor desde a 6ª série e não por você. não queria te contar isso também porque não entendi ainda se você quer mesmo isso de mim mas eu me decidi de uma vez por todas te falar tudo. já tentei esconder isso por tantas saídas… já menti descaradamente para ti, mundo velho, tão imponente e sujo, com jeitinho de bacana. era divertido sentar com você em uma mesa de bar e fingir que estávamos em paz com os amores perdidos que encontrávamos pelas ruas. ríamos muito com o amor bandido, o amor que acaba junto com o ano letivo, o amor fingido, o amor esquecido, o amor mentido e até o doído. acredito que você pensou que estava me fazendo o bem, já que não tinha te dito nada nunca. eu sempre tentei te avisar mas acabava me distraindo com os seus acasos. sua falta de imaginação é compreensível só que chegou a hora de te avisar que não estamos mais juntos nessa, o amor verdadeiro não está em suas artimanhas e falsas peles de raposa. porque o que eu quero, mundo, você não entende e nem quer entender. eu quero mãos dadas que se entrelacem e que não sejam apenas dadas. quero sentar no banco de jardim com a cabeça enconstada num outro ombro que consegue segurar o peso. quero lavar os pratos que escolhemos juntos para a nossa casa. quero sair do trabalho e vê-lo de surpresa à minha espera do outro lado da rua. quero contar pra ele do que gargalhei ontem e o que me fez entristecer hoje.  quero confiança, respeito e muita garra para batalhar junto com o amor. de luta, mundo, você já me provou que só existem as iludidas. quero apagar todas as tristezas e medos que o amor tem para que quando eu tiver os meus, ele apague. quero que ele seja tão leal quanto eu sou para ele. e nada disso existe em meio aos seus prédios e buzinas, telefones celulares e drinks coloridos, mundo velho. sei que você adora uma bagunça, uma confusão, uma solidão no meio da passeata dos justos, uma “palavraiada” vazia nos discursos mais bonitos. e é por isso que estou insatisfeita há muito tempo, não te quero mais não, sabe, nós temos incompatibilidade de gênios. o problema não é você, sou eu. eu e a minha sede de ficar velhinha que usa colar de pérolas ao lado do amor. então é isso. já estou construindo o meu primeiro mundo novo, inédito e incrível pra gente: eu e o amor.

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