meu maior caso de amor

e. cherry

lembro-me bem de que assim que aprendi a escrever, ganhei a caixa mais gigante de lápis colorido que havia visto e corri para fazer convites do meu aniversário. era tipo mês de março e lá estava a menininha com franja nos olhos sentada na mesinha roxa do quarto, montando lista de convidados e dobrando papéis para algo que só aconteceria em 21 de novembro. o amor pelos meus aniversários transcende qualquer frase feita sobre o dia do nosso nascimento. pensar em idade é algo supérfulo para mim, tanto que convivia com crianças mais novas e até com a turminha das séries mais avançadas: o meu negócio é gente. adoro pessoas, mesmo que eu seja discreta e suma de vez em quando.

minha família tem uma grande parcela de culpa nisso tudo já que nunca faltou pelo menos um bolo para mim e meu irmão. por termos apenas 10 dias de delay entre nossos aniversários, rolava o bolo metade rosa/metade azul para os pirralhinhos do meu círculo e os adolescentes da turma dele. muito bom lembrar que eu montava coreografias para dançar nas festinhas – mas na hora ficava com vergonha e não fazia nada; que eu ajudava a mamãe passando açúcar cristal colorida por cima dos docinhos; que eu ganhava um monte de presente legal e que tinha a ver comigo; que eu ganhei uma festa surpresa dos amigos da 8ª série e isso sim foi algo que me fez chorar de tão alegrinha que fiquei.

acho que gosto tanto de aniversários porque digo que faço dois por ano: um de quando nasci e outro de quando renasci de uma internação gravíssima com apenas 20 dias de vida. sou daquelas que têm sete vidas. e isso me enche de vontade de colecionar aniversários, de sorrir para as nuvens e avisá-las de que sou muito grata por vê-las todos os dias. este ano o meu dia 21 está tão bonito que me faltam palavras para explicar tamanha comoção. também não estou sabendo agradecer direito a tudo de importante que tem me acontecido, de tão grande que está… a única palavra que me vem à cabeça e que quero gravar no calendário de 2012 é “felicidade”. eu a ganhei de presente este ano inteiro e agora ela veio ainda maior. como é bom olhar para a minha janela e sentir que o ventinho frio vem cada vez mais esperançoso e faz o meu peito se encher de fôlego para chegar ainda maior do que me tornei no ano que vem.

mariana e seu aniversário: talvez a maior história de amor que nem o cinema poderia descrever.

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