regra de etiqueta digital

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estado de choque. foi isso o que aconteceu quando olhei para o espelho e vivenciei a verdade de encarar o quanto a internet me pega de surpresa. sou velha conhecida da virtualidade, inventava de digitar html simples em 1998 e roubava códigos de site gringo. administrava milhares de sites bonitinhos e mantinha um pessoal (não existia o blogger ainda) como segundo lar. encontrei grandes amigos no icq, contava tudo para todos e me esbaldava na construção dos meus vinte e poucos anos. estas raízes foram incríveis mas, mesmo depois de tantos aniversários curtidos depois, esbarro com um dilema que me deu um chega-pra-lá inesperado: até que ponto me rendi ao diálogo digitado?

eu não tinha uma boa relação com o facebook. fiz as pazes com ele há apenas um mês e meio. usava muito pouco. agora cismei e aí fico nessa cafonice de mensagens “wébicas”: voltei no tempo em que, para mim, aquele era um lugar super fácil de falar, me expor e tudo mais. aí vou para a rua, vejo o nick materializado diante de mim e as coisas não são bem assim. os emoticons que enviei se tornam um rosto coberto por vermelhidão e minhas palavras são trocadas por lábios mudos.

estou engatinhando na busca por uma elaboração sobre a minha relação entre o diálogo via web e o da vida real. são muitas marianas em uma só que às vezes não faz as coisas direito. nas tentativas de criar uma oportunidade imprevisível (para mim), acabo extrapolando limites do que faria pessoalmente e aí me perco no meio da história toda. como estou no impacto de uma “primeira vez”, ainda não identifiquei qual a minha regra pessoal de etiqueta nessa imensidão de informação. talvez o melhor seria encarar o virtual como um fenômeno social distante de mim, afinal, seria muito mais mariana escrever uma carta em papel pautado com um envelope cheio de colagens – e talvez nem entregá-la ao destinatário.

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