às cegas

mitsuko nagone

estive em um emaranhado de situações que mais pareciam uma tempestade de confetes. ecoando por paredes sem reboco e janelas sem vidro. não dava conta e fugi. fui para o alto mais alto do mundo em que a única coisa que ecoava era a minha própria solidão. mas cansei de tomar chuva na cabeça e voltei. quis me redimir. quis aceitar. quis civilidade. recuei e olhei o plano geral. dei mais uma chance ao mesmo mundo que me apresentou o lixo. que me confundiu. que me fez desistir. que me cansou por ser tão repetitivo. por não ter nada de criativo. por me deixar às cegas.

e seguir em frente é como manter uma meta. planejar e resolver tudo o que tiver que ser decidido para não mais perder tempo. tempo ouvindo o que nada diz, tempo vendo o que nada representa, tempo acreditando no que não existe. quero mais força para pisar firme. quero conhecer o mundo para questioná-lo por inteiro. quero acordar cedo para dormir cada vez menos. quero soprar pétalas para festejar meus amigos.  quero um dia frio para enrolar meus pés em lã e sentir carinho de mãe durante o sono. quero aceitar o inevitável. quero distância de pessoas que cobram o que não devo, que falam o que não preciso ouvir, que gritam o meu nome enquanto estão roucas. quero ver bichinhos em nuvens para não esquecer quem sou.

e eu quero um punhado de sorte também, que é para eu dar uma folga pro meu coração.

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