lugar nenhum

ballyscanlono-matic

fugir de si mesmo é inventar milhares de pontos imaginários na cabeça. é criar uma rota sem fim nem limite – para lugar nenhum. é a vontade de fazer o coração bater mais forte como já bateu algumas vezes lá atrás. como quando você sente seu pescoço pular quando pulava na piscina gelada das 5 da tarde.

vivo pra sentir a picada de formiga que envermelha a minha pele. pra tomar sorvete até doer a testa. pra chegar no parapeito do 17º andar e sentir frio na espinha. pra segurar o gelo entre os dentes e tentar engoli-lo inteiro. pra gritar bem alto o que eu quiser gritar. pra chutar todas as garrafas vazias que as pessoas jogam por aí. pra abraçar os meus pais e não esquecer do cheiro deles nunca mais. pra pular no show de banda cover e acreditar que o meu ídolo suicida ainda está andando por alguma rua suja. pra combinar tinta magenta com ciano. pra me sujar de tinta. pra colar papel na parede. pra continuar fazendo bolo de chocolate mesmo todos não crescendo direito. pra passar a mão no pelo dos gatinhos siameses da minha prima. pra fechar os olhos e imaginar o dia mais perfeito que eu poderia ter. pra colocar os pés pra fora do cobertor e arrepiar a pele. pra deixar minhas cicatrizes contarem suas histórias pavorosas. pra colecionar o que for bonito. pra chegar no final do dia e saber que estou com o dever cumprido.

extremismos. sem eles a vida não teria nem metade da beleza que tem aos meus olhos.

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