por hoje

marisa pupe salinaso-matic

apanhar estrelas com os pés no chão. vestir a camisa da sua luta. encarar uma corda bamba sem garantias ou promessas. esconder o que se sente. pegar dois aviões. comer folhas. cortar carboidrato. completar uma planilha de porcentagens no início do mês. e mais toda uma lista de tarefas. coisa de gente grande, sabe como? a mesma gente que até anteontem assistia desenho do patolino. tomava refrigerante no final de semana. tinha como missão escolher entre sorvete de pistache e de cereja. corria no parquinho do bairro e voltava com o joelho esburacado. não sabia se coloria a maçã de verde ou vermelho. levava xingo porque às vezes trocava meia branca pelo par de amarelas. chorava quando via olhos de ursinhos caírem por corredores e halls. trocava alguns zês por ésses. passava batom com cheiro de tutti-frutti ou usava boné do batman. jogava queimada. colocava o braço pra fora da janela do carro do pai. dormia com a luz do abajur acessa. é difícil. é muito hoje para pouco ontem. sempre resta menos beleza do ontem à medida que o tempo perfura seu caminho, entra no meio da sua trilha. o tempo cobra. o tempo todo. a toda hora. todo hoje tem seu fazer. um monte deles inclusive. ainda mais que um punhado de sorriso é pré-requisito obrigatório para ser uma pessoa a mais dentre tantas outras que se esbarram no elevador corporativo. mas estamos aqui para fazer melhor. e para fazer o que mais sabemos fazer: viver. e sem olhar para trás.

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♪ para ouvir lendo ● I need you – the beatles

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