os erros dos otimistas

gary houlder83163707

acho bonito observar as pessoas otimistas. daquelas que sabiamente acreditam que vale a pena fazer o que tem que ser feito em nome dos desejos. das expectativas. e, por que não, dos sonhos. há quem consiga encarar o medo e ir em busca do que se quer. que tenta de todas as formas chegar até onde quer. até estar ao lado de quem quer estar. eu já fui assim. bastante até. por isso, ao longo de uma jornada de mesclas e enganos, loucuras e devaneios, cheguei até aqui olhando para o que já fui e o que já não sou mais.

justamente agora, o momento em que estou mais perto de realizar os planos que me acompanham desde a minha versão mini, eu me perdi. fiz todos os erros certos para, aqui, finalmente, conseguir. só que, por distração, perdi todo o trabalho. toda a história. toda a garra. toda a luta. toda a crença que construí diante das maiores avalanches de neve desse planeta azul. talvez porque minha cegueira esteja no coração. que bate sem jeito quando precisa ter sangue frio para bombear seus movimentos. que perde uma batida a cada passarinho que vê perder o ninho. que se parte em três por esperar coisas que nem são reais. que ficou preguiçoso por começar a achar que certas coisas são melhores distantes, projetadas em um cenário que não seja o daqui.

para ser otimista precisaria voltar a acreditar nos meus erros. porque mesmo tortos, foram eles quem me fizeram chegar com tanta bagagem até aqui, momento caótico e intenso de uma vida cheia de bolos cor-de-rosa e balões de hélio. sinto saudades de quando encarava o erro de te escrever uma carta. o erro de aceitar a sua música. o erro de pegar na sua mão. o erro de fazer uma colagem para você. o erro de sair com você sem hora marcada. o erro de ficar mesmo sabendo que ficar é um fracasso. o erro de namorar mesmo sabendo que todos têm fim. o erro de se casar mesmo sabendo que podem ser mais pavorosos do que divertidos. cometi todos os erros felizes, certos e normais desse mundo. mas todos, agora, me parecem distantes. cada dia mais. meu peito clama por mudança, sofre trôpego por ver as linhas que corto com tesoura, uma a uma, sem nem olhar para trás. sem nem uma pontinha de dúvida. cortes que faço sem pensar. sem querer. sem poder, mas faço. e, se não fizer algo urgente para parar com isso, eu não vou errar certo nunca mais. só não faço ideia por onde começar.

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♪ para ouvir lendo ● black – pearl jam

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