ensaio do ponto final.

zen sekizawa

200025170-001

tem vezes em que ensaiamos um ponto final. os mais importantes e decisivos são os mais ensaiados.

rabiscamos em um papel pautado um traço que o parte em dois e colocamos palavras que definam pontos positivos e negativos da sua recém tomada de decisão. pensamos em hipóteses realistas para traçar um plano de metas e conseguir, enfim, se livrar da tormenta.

é tudo muito bem ensaiado porque é difícil ficar longe do que você quer ficar perto. é quase um crime contra a sua vontade mais genuína declarar que, não, a partir de agora você não vai mais estar ali. muito menos lá. nem responder o que te perguntam você vai poder mais. não há mais possibilidades. nem haverá abraços ou sermão. controle ou espontaneidade. acabar com o que não nasceu de fato. com o que era um esboço de vida. um rascunho de história. uma incógnita que nasceu sem pretensões de se tornar arte. de se tornar qualquer coisa menos fugaz e mais importante. mais feliz, mais colorida, mais vívida, mais… digna.

o ponto final é justo. é plausível. é a única saída percebida após tantos desencontros. tantos sonhos que, de bonitos, passam a ser bobos, vazios, sem sentido. seu espelho diz que você é ridículo por ter esperado tanto e ao mesmo tempo nada. porque o desejo deixa de ser pulsante quando se vê perdido, desesperançoso, usado.

………………………………………………………..
♪ para ouvir lendo ● pure morning – placebo

Anúncios