quando tudo fica diferente

marie frenzel

Marie Frenzel--2

não poderia me lembrar da última vez em que estive com o coração livre. desocupado. é uma novidade. é como tinta branca fresca nas paredes dos meus pensamentos. e não há incógnita. não há dilema. é a liberdade do coração vazio. síndrome de quem se acostuma a ser sozinho por um tempo. gente que não espera dos outros simplesmente porque o acaso quis assim. sem drama. sem custo. sem dor. que me desculpe você, que chama o coração livre de “mal amado” mas pode ser divertido. e muito. descobri a diversão do coração fechado. às vezes, quando se ama tanto e por muitos anos, acontece querer permanecer num paraíso particular. naquele quadrado do mundo em que só cabe um. o olhar único, o sonhar acordado, o saber que, agora, é preciso que seja assim. é que com o tempo a gente quer mais segurança. quer tomar conta do mundo ao mesmo tempo em que quer resguardá-lo. amor crescido é isso: saber que até amar desenfreado tem prazo de validade – e às vezes a gente só precisa de um motivo para amar. o mais simples que seja.

e é aí que dá certo. porque o coração se abre pra muito pouco; mas é todo aquele pouco que não é qualquer coisa, não. é para ser aberto. arrebatador. ilógico. novo. esses são os melhores. enquanto não chega eu fico aqui, colorindo o céu de amarelo, meu cabelo de vermelho, o coração de azul anil. só pra combinar com o meu mundo, cada vez mais diferente.

.………………………………………………………..
♪ para ouvir lendo ● supersoaker – kings of leon

Anúncios