como tudo que se vai

julia davila-lampe

falamos tanto em crescer. em como o tempo passa. sendo que nós somos apenas uma transição do ontem. o ontem. latente. meu ontem cada vez mais latente. daquelas memórias que se tornam ouro. pensar em glórias. a glória de perder um dente e ver crescer outro, novinho. de sentir um punhal dilacerando o peito e ver pulsar um outro coração, novinho. a força em chegar lá. sempre chegar lá. mais e mais pra lá. o lá já foi longe, longe o suficiente pra me fazer sentir viva. viva com a felicidade que eu sempre mereci sentir. que todos merecemos. se sentir feliz ao ouvir a música de ontem como se fosse pela primeira vez. sentir o aguçar na língua como açúcar gelado faz. sensações simples que o tempo só aprimora: esse é o passado que vale a pena. o pedaço de história que só você conhece. que se faz vivo quando aquele perfume emana. quando aquele filme passa na tv. quando aquele chocolate volta pras prateleiras. e a lembrança nem é por ninguém a não ser por você mesmo. eu e a minha pequena solidão que só faz sentido na fração de segundo do meu mundo. é isso o que me faz sentir a vida alcançar um andar a mais, a cada ano que passa. coleciono com orgulho o meu scrapbook repleto de sorrisos, nariz sujo de chocolate quente, abraços embaixo da garoa, luzinhas de pisca pisca no jardim.

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♪ para ouvir lendo ● post break-up sex – the vaccines

*é assim que me despeço de um lindo ano, cheio de coisas loucas, improváveis, toscas e doces: enchendo a nuvem do meu quarto de luzinhas. fazia tempo que eu não tinha um ano pra chamar de meu. que eu não sentia a vida intensamente, bombando sangue e batendo forte no meu coração. 2013 veio pra roubar o lugar de “melhor ano da vida” que 2005 manteve por tanto tempo. com toda a licença poética que o tempo nos dá.

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