rendição

meu amor é daqueles que sai de longe e chega até onde for pra chegar. ele remonta um mundo de possibilidades e inspira quem quiser pegar um tiquinho de luz. aquela luzinha que a gente quer tipo naqueles dias em que tudo parece escurecer. o meu amor quer surgir sem esperar mais, porque esse mais é sempre muito e o muito às vezes enfraquece. quanto mais simples, maior o alcance do meu amor. quanto menos quero, mais ele cresce. ele se torna independente do meu controle. ele é real. ele é forte. ele quer porque quer fazer valer. ele é firme e me diz, a cada instante, que é melhor assim. sempre é melhor.

o meu amor tem muitos sujeitos. o meu amor é a minha caixinha favorita. a minha coleção de livros. os meus calhamaços de colagens. as minhas cartas. os meus filmes. os meus brinquedos velhinhos. as minhas memórias. os meus amores guardados. a minha música. eu amo ao máximo, não quero que nada se perca. eu não quero que o meu amor nunca morra. sentir o amor é o que faz com que eu continue a ser eu. sentir o amor, em seus vários aspectos, é o que me faz acordar cedo e sorrir sem ter que tomar café antes.

e quando acho que amarei pra sempre, vem um amor ainda maior e por aí vai. é sempre assim, até hoje foi assim. um amor nunca sobrepõe o outro, apenas dá licença para que haja um amor ainda maior e mais feliz. hoje eu desejei que o meu amor pela vida, pelas pessoas e por mim seja impermeável, capaz de sobreviver a qualquer golpe que seja. eu me rendo a você, amor, a minha defesa diante de um mundo completamente diferente do meu.

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♪ para ouvir lendo ● runaways – the killers

foto: irene miravete
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