testemunho sobre o sonhar demais

o substantivo ‘sonho’ é relacionado a coisas muito bonitas. se você fizer o exercício de pesquisar no google este termo vai ver sorrisos. corações. olhares apertados. nuvens. muitas nuvens. todas elas. eu amo nuvens. procuro bichinhos em todas elas. até que os sonhos tomaram conta do meu eu todo.

o verbo ‘sonhar’ é interpretado como muito bonito. sábio. revistas resenham sobre o poder se sonhar. o valor do sonhar. a beleza que é sonhar. eu sonho muito. tanto que sonhar virou o universo paralelo em que ando vivendo.

sonho demais. demais a ponto de confundir o emocional e emputecer o racional. eu vivo em um mundo que sempre questionou os meus sonhos e me mandou não sonhar. eu duvido das frases de revistas e sinto vergonha por ter aspiracionais tão piegas. é um perigo sonhar demais. você pode se atrapalhar no meio do processo e estagnar a ponto de não saber lidar com o nível mais básico da existência que é a realidade. tudo é equilíbrio, já dizia o budista feliz do filme, do livro, da palestra, do período sabático.

hoje coloco em xeque todas as nuvens que coleciono desde criança. algumas são cinza, muitas são brancas, outras azuis e há as gordinhas, avisando que não vão arredar pé enquanto não se dissolverem. imagina dissolver um sonho? o coração murcha que só! e é uma pena murchar um coração ou permitir que um se esvaia como vento.

hoje não sonho mais como antes – sequer ouso sonhar tanto. mas o peso que a vida me joga ainda sussurra que “é preciso sonhar menos, mariana”. e hoje só quero isso: continuar sonhando. menos que ontem, amanhã não mais, afinal, já não era sem hora você se realizar amanhã, sonho. para então abrir o céu para novas nuvens. aquelas menores e mais possíveis, igual aos que os adultos têm.

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♪ para ouvir lendo ● got my mind set on youn – george harrison

foto: shuji kobayashi
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