cheios de opinões

mundo difícil o de hoje. em 2104, você revela uma descoberta pessoal na empolgação natural que vem com ela e pelo menos 3 pessoas vão querer ditar dissertações sobre o seu sentimento exposto. sem se tocarem que, muitas vezes, uma foto não define quem você é mas um olhar daquele momento vivido. e que, na maioria das vezes, essas pessoas nem fazem parte da sua vida a ponto de se preocuparem com isso. com a proliferação dos perfis virtuais em que qualquer um cria o seu em segundos e gratuitamente, vem a necessidade de criticar tudo. o tempo todo. nada mais é passível de distração. você é criticado por tirar foto quando vai ao starbucks. você é tachado por querer conhecer uma loja que não tem na sua cidade. você é jogado em um caldeirão de pré-definições daqueles que se acham muito sabichões e, claro, melhores do que todos os que não seguem à risca o seu padrão de vida. acho ótimo poder ter voz própria e comentar o que quiser. mas é perceptível o quanto a onda que cobre a web é muito mais negativa do que construtiva.

o que me incomoda é que as pessoas sequer conhecem a sua história de fato. aquela que só a gente sabe, mesmo. talvez você não viaje tanto quanto ela. pode ser que você nunca saiu do país como ela. puxa, às vezes a gente só quer compartilhar com o mundo algo que nos deixou feliz. por mais simples que pareça, afinal, pode ser importante pra você. e isso já basta para virar foto e aparecer no facebook. vivemos tempos em que debater o-tempo-todo é sede. impor opiniões é obrigatório o-tempo-todo. e deveria ser crime querer compartilhar algo que não revele o padrão-descolado-de-ser de uma trupe que se julga muito moderna.

sempre achei as pessoas muito cheias de si e vazias de sabedoria. eu observo todas as meu redor e sempre concluo o quanto compaixão e simplicidade são sentimentos quase extintos e subjugados por um egocentrismo massificado. quando era mais nova falava bastante. hoje, falo bem menos. aprendi que falar o-tempo-todo tudo o que penso não é lá tão prudente. tem a hora, a pessoa, o lugar. hoje falei muito porque tem vez que a gente precisa escrever. para esgotar as notas de rodapé da nossa mente. e lembrar que a vida é muito curta para apontar dedos por aí e julgar todos tão negativamente. vale a pena olhar o mundo de uma maneira mais pura e descontraída.

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♪ para ouvir lendo ● the letter – pj harvey

foto: sara cuadrado
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