hoje eu dancei na minha casa

hoje eu dancei no quarto ao lado do meu. ali é o meu escritório inventado. recriei o club que frequento semanalmente, com a diferença dos $25 de entrada não pagos. bebi água com gás. tocou beatles. bebi jack com coca. ouvi baladas 80s. e dancei com a mesma destreza exibida nas noites públicas. só que, hoje, eu me senti livre. sem olhares. sem julgamentos. sem timidez. eu dancei como danço mas o coração pulsou forte. hoje eu senti o quarto ao lado do meu. ali é o lugar secreto em que posso treinar o lembrar. lembrar que o coração da gente quer sorrir sem motivo. bocejar quando se sentir cansado de amar. sentir mesmo onde a gente está. e, a casa da gente, ninguém nunca pode roubar. porque casa é lembrança. é bem estar. é a intimidade da nossa própria loucura. nada substitui um lar. afinal, o lar é onde nosso coração está. a segurança do sábado em casa me fez lembrar que a vida é feita do ‘amar’. e assim decreto que resolvi voltar atrás e por isso decidi permitir meu coração voltar a trabalhar. mesmo colecionando meses de um consentido não amar. amo meus discos “novos”. amo o ovo mexido que a minha mãe prepara no café da manhã. amo aquela música do bowie que toca sem aviso no meu fone de ouvido. amo acordar sábado cedo e pedalar sem juízo. amo como nunca um ano que nem 30 dias tem para ser amado. mas que trouxe algo inesperado e mais do que raro: a felicidade. 2015 pode durar 17 dias. pode ser marketing. pode ser o que você achar que for. só sei que se sentir feliz sem motivos enumerados pela lista da mulher realizada, segundo a marie clarie do mês, é bom demais. talvez a vida seja mesmo assim, cheia de curtos mas inesquecíveis gritos de euforia gratuita que a gente mesmo inventa para poder sobreviver.

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♪ para ouvir lendo ● she loves you – beatles

foto: roc canals photography
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