não me venha com metades

quem cresceu vendo um amor dedicado por inteiro não se contenta com 50%. quem se alegra ao ver um casal de mãos dadas em plena avenida guarani às 11h da manhã não se sente realizado com menos do dobro da metade. quem sabe amar quer amor completo. carinho full time. não existe serrote para dividir os momentos a dois. o coração de quem consegue amar o todo é incapaz de entender o partir da semana, a fração do encontro, a ausência no sábado à noite. o apaixonado quer estar lado a lado. nem que seja para, no silêncio, ler cada um o seu livro, a sua timeline, o seu jornal. megalomania? apego? complexo de felícia do looney tunes? quem ama não merece ser analisado sob pena de morte. sob olhar de punição. sob acusação sarcástica. vamos combinar: amor custa a acontecer. custa a dar as caras por aí. quando a gente assume o amor a gente quer mesmo é se esbaldar por onde for. quer mesmo é colorir os dias ao lado de quem se quer durante o máximo de horas que puder. porque a gente passa a vida sentado de frente para o computador. imaginando como vai ser amanhã. passando a ferro camisas brancas de tecido e meias de algodão sem desenhos. e nesse balaio de gato todo ainda encontra tempo para curar saudade. a gente passa muito tempo sonhando com o que aquece nossa alma. com o que faz a barriga gelar e a voz tremer. a gente quer mesmo é estar de mãos dadas no final de semana. é dormir juntinho mesmo que haja barulhinhos ecoando pelo quarto. é se sentir preenchido. protegido. aliado a quem você quer bem e que te queira bem também. amor é sede. fogo. vontade. a maior vontade que você imagine em se sentir completo. sentir que não está mais sozinho nas ruas sujas do mundo. mesmo sabendo que isso talvez seja só de mentirinha. é por essas e outras que fica bem difícil aceitar metades, sabe. quem nasce com vocação pro amor não tem tempo a perder. nem a esperar.

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♪ para ouvir lendo ● something about us – daft punk

foto: molly chien
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