das voltas que o coração dá.

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fui lembrada de um tempo muito ali atrás em que a internet significava tantos outro símbolos. tantos outros sentimentos. tantas outras… libertações. sinto diferente de muitos que me rodeiam. de todos os que a usam. agora. neste sábado organizei minha casa e encontrei um jornal mineiro em que fui entrevistada sobre meu blog. 2000 e pouquíssimo era o ano. percebi ali uma mariana muito jovem, muito medrosa, muito linda. uma menina tão… distante. essa é a palavra. distante. reconheço bem os sentimentos que vivia naquela época mas não os encaixo há muitos anos em minha vida. natural. mas me senti inspirada a escrever sobre mim, finalmente. há muito tempo não digito, não falo sobre minha própria vida através de um teclado. é algo que 2016 não suporta tão bem. pra gente ver o quanto a vida endurece. desacredita. maltrata. como me recuso a vida a inteira a dizer fantasias ou historietas, simplesmente parei de escrever. bom termômetro para uma pessoa sensível e intensa. sinto orgulho por me manter intacta neste sentido. mas estraçalha o coração perceber que daqui não restou as aspirações que registrei nos sites pessoais e blogs que publiquei por anos da minha vida. a mudança foi drástica, amigo. se eu pudesse vislumbrar meu futuro (hoje) em 1999 simplesmente riria e não acreditaria que me tornaria essa potência toda. uma adulta de verdade, como a criança que fui não pudesse imaginar existir. estou seguindo o fluxo. da maneira mais sensata possível – e talvez mais séria para alguém dotada de uma imaginação tão fantasiosa pudesse ser. constatei nesta madrugada de sábado mais realista da minha tão pequena vida que eu me tornei tudo aquilo que mais lutei em não ser. e ao mesmo tempo sinto orgulho em entender que fiz o melhor que pude e que só me resta seguir firme na responsabilidade que a idade traz. vivi intensamente tudo o que pude. testei de todas as maneiras viver intensamente. minha juventude foi da pureza até a sujeira. conheci pessoas inspiradoras, que sigo até hoje, e pessoas péssimas, que desprezei no tempo correto de acordo com o prazo de validade. vivi. muito. até chegar aqui e desejar viver mais. só que diferente. não sou mais a mesma e espero ser mais de outra. agora, só desejo ter tempo para escrever mais. e no tempo certo. sem deadlines. sem likes. sem hits. assim como antes.

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♪ para ouvir lendo ● stillness of heart – lenny Kravitz

foto: getty images
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