o maior clichê do mundo

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sempre tive empatia pelo amor. a rua estava suja mas enxergava o matinho ali nascendo no bueiro. a coxinha não tinha tempero mas a gente colocava sal e ficava de boa. o céu estava bem feio mas enxergava uma nuvem de 5 cm vindo ao leste que poderia mudar o cenário. a pessoa era sarcástica mas a covinha era bonita demais pra ela ser má. como seria possível não ter amor ali? essa sou eu no mundo. otimista demais. positiva demais. believe me, eu sou demais até pra mim mesma. e era bem chato. daí eu passei um tempão ignorando que eu sentia amor demais por muita coisa. eu achava o maior absurdo ser assim tão coração demais. até porque, vamos combinar, o hot do verão era “living la vida loca”, meu bem! resolvi ser modern girl. paguei de brava. paguei de loca. paguei de pagã. paguei de tudo o que eu nunca fui. até que fui morar sozinha. e tudo passou a ser demais. a fome é demais. o tempo é demais. o leite é demais. a cebola nunca acaba. o coração. ah, ele também é demais. foi aí que eu vi que ia ter que me aceitar com essa nuvenzina dentro de mim mesma, mesmo. eu só tenho a mim mesma nessa casa. nessa cidade. nesse país. nesse planetão. nesse sistema solar. e o amor transborda. eu não tenho outra mari a mostrar a não ser a que ama mesmo. a que fala mesmo. a que conta mesmo. e hoje eu quero é contar o quanto eu amo buscar amores pra preencher meu coração.  contabilizar praças no moleskine. andar com tercinho da mãe na bolsa. sonhar com nuvens com cara de vaquinha. cozinha purê de cenoura. ver a roosevelt do ônibus e agradecer por ter chegado até aqui. andar pelas ruas sorrindo a toa. pular na cama porque é bem legal. contar que o meu maior sonho é conhecer alguém que também queira, assim como eu, aceitar ser amado. mais do que nunca.

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